JOÃO ALBERTO PERES BRANDO

É A ECONOMIA!

Greve!

    Na semana retrasada não houve coluna, pois o colunista estava em greve. Aderi à onda de grevistas que começa a se espalhar pelo país. Primeiro foram os bancários, depois os policiais civis e outros sindicatos ainda discutem se entrarão ou não em greve como se não estivéssemos no meio de uma grave crise econômica.
    Pelo momento atual, até me questiono se os grevistas —pelo menos aqueles que não são funcionários públicos— não deveriam demandar estabilidade de emprego ao invés de aumentos salariais. Mesmo se o cenário econômico estivesse favorável, não haveria razões para greves. Compartilho da opinião que nada justifica uma greve.
    Nada contra demandar aumentos salariais quando há merecimento. Mas também nada contra mudar de emprego caso o atual não pague o justo. Ninguém é obrigado a permanecer no mesmo emprego mesmo sendo funcionário público. Se as pessoas realmente merecem salários melhores e não os recebem nos atuais locais de trabalho, que mudem de emprego para conquistá-los. E se as pessoas não conseguem mudar para um emprego melhor, é um sinal de que elas não merecem um aumento salarial. Não há necessidade de greve.
    Greves servem para os sindicatos mostrarem que estão defendendo os direitos dos trabalhadores. Neste sentido é até bom que a contribuição sindical seja obrigatória. Caso fosse opcional, imaginem a quantidade de greves que pipocariam por aí só para servirem de vitrine para a atração de novos sindicalizados.
    O mercado de trabalho é como outro qualquer: a oferta se equilibra com a demanda e define o preço justo de cada um, ou seja, o salário. O livre funcionamento deste mecanismo é imperativo para o aumento da eficiência do sistema econômico como um todo.

Não é a Economia!
Na penúltima edição do AC, no lugar desta coluna foi publicado um artigo do jornalista Hamilton Octavio de Souza que fez uma análise do uso da taxa de juros no Brasil. A análise foi tal que não posso deixar de registrar minha total discordância sobre tudo que fora escrito. A tese de que o Banco Central opera a taxa de juros em prol dos bancos e especuladores e à custa do restante do país é furada. Se assim fosse, sugiro que o professor Hamilton abra um banco e reverta para os trabalhadores brasileiros todos os lucros que a instituição terá com a ajuda do Banco Central. Capital inicial para abrir o banco não será problema. Com tão nobre causa, não faltarão doadores para a empreitada.

JOÃO ALBERTO PERES BRANDO, 27, economista pela FEA/USP e mestrando em finanças pela FGV é gerente de projetos de um banco em São Paulo.
E-mail: japbrando@gmail.com