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Educação patrimonial: a criança e o olhar por Pinhal

FOTOS: REPRODUÇÃO

Casarão do major José Antonio Fernandes, hoje edifício Cel. Eduardo de Almeida Vergueiro

A Pauliceia, hoje loja Tem Total

Casa de Laura Del Guerra

Castelo de Santo Ângelo, hoje escola estadual Cardeal Leme

Igreja Nossa Senhora Aparecida (Largo Aparecida)

Sociedade Dante Alighieri, hoje estacionamento do Supermercado Del Guerra

Marcenaria propriedade de Lourenço Del Guerra, hoje Supermercado Campeão

Escola estadual Dr. Almeida Vergueiro

Delegacia de Polícia Civil, antigo Fórum da Cidade

Delegacia de Polícia Civil, antigo Fórum da Cidade

GISELE MORGÃO

Ítalo Calvino escreveu um livro chamado As cidades invisíveis, em que fala dos infinitos detalhes que fazem uma cidade. Entre as cidades inventadas por ele está Leandra, que mistura construções feitas para durar no tempo, para abrigar pessoas e objetos, construções estas que são marcas da existência humana sobre a sua terra. Como Leandra, toda cidade é fruto das relações que seus indivíduos mantêm com os patrimônios —sejam eles materiais ou imateriais.

A diferença de Leandra de Ítalo e de Espírito Santo do Pinhal é apenas o contexto imaginário criado pelo seu autor. Pinhal, da mesma forma que Leandra, precisa de construções para durar no tempo, para abrigar memórias, como grandiosos relicários carregados de heranças culturais. E foi pensando em Pinhal como um potencial de abrigo histórico que desenvolvi o projeto de educação patrimonial na escola estadual Dr. Almeida Vergueiro no ano de 2011.

O projeto “E.E. Dr. Almeida Vergueiro e Espírito Santo do Pinhal: um olhar para o passado visando o futuro” nasceu juntamente com a reforma pela qual o antigo grupo escolar estava passando nos últimos dois anos.

Durante o processo de reconstrução do prédio, senti a necessidade de trabalhar com os meus alunos não apenas os conceitos inerentes ao processo de reforma e restauração de um patrimônio histórico, mas também as histórias dos nossos prédios históricos.

O projeto abarcou todos os alunos da escola, numa tentativa de conservação do prédio que estava sendo reformado, mas também para fazer renascer os outros casarões aqui existentes, como também os que iriam renascer apenas nas lembranças e histórias guardadas em antigas fotografias, já que haviam sido privados da nossa convivência.

E foi contando histórias, revendo imagens, passeando pelas ruas, falando de barões, comendadores, estradas de ferros, plantações de café, igrejas, mostrando resquícios de nossas heranças que meus alunos criaram mais de 400 desenhos baseados nas antigas edificações de Pinhal. Todo potencial artístico foi direcionado para a beleza das linhas retas e curvas de nossas construções, desenhos tão maravilhosos quanto as reais fundações desses casarões. Com estes desenhos surgiram as histórias dessas edificações, as famílias que ali viveram, as mudanças que ali ocorreram e as ações que ali as destruíram.

Assim, foi mostrando que o presente está impregnado de passado que meus alunos notaram o quão importante é manter viva a nossa herança cultural, percebendo que, ao preservarmos nossos casarões, estamos mantendo viva a nossa história. Dessa forma, acredito que, ao compartilhar memórias, podemos reinventar a comunidade. E foi compartilhando a minha paixão por Pinhal com meus alunos que cultivei, em cada um, um pouco de Pinhal, um pouco do que acredito que deva ser mantido para nós e para as próximas gerações: a nossa história.

GISELE MORGÃO é professora de artes da rede estadual

 


Edição 898, 18/2/2012